Risco de pobreza afecta cada vez mais crianças
Relatório da Comissão Europeia arrasa serviços de assistência social, falhas que contribuem para que Portugal seja um dos países da União Europeia com maior percentagem de crianças em risco de pobreza. Instituições de solidariedade garantem a única alimentação do dia a muitas crianças.
Um estudo que analisa a protecção e inclusão sociais veio revelar um dado preocupante, que coloca em risco o futuro de um quinto das crianças portuguesas. Segundo o relatório dessa pesquisa, Portugal é um dos oito países com maior nível de pobreza infantil.
Da autoria da Comissão Europeia, este estudo revela que uma em cada cinco crianças enfrenta risco de pobreza. Portugal foi ultrapassado pela Polónia e subiu um degrau no topo deste ranking preocupante. No grupo dos países em risco, além de Portugal, estão Espanha, Grécia, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo e Polónia.
O relatório - que será adoptado pelo Conselho de Ministros do Emprego e Segurança Social - aponta o dedo para as graves deficiências da assistência social, factor responsável pelo acentuar das dificuldades das famílias.
A presidente do Banco Alimentar, Isabel Jonet, alerta para outro problema: há cada vez mais crianças que são alimentadas por instituições de solidariedade, em virtude da incapacidade das famílias para adquirir produtos de primeira necessidade.
"Muitas crianças nem o pequeno-almoço tomam em casa e apenas se alimentam com o que lhes é servido nas instituições de solidariedade social", alerta. Após o período de férias, quando não são apoiadas, as crianças regressam mais magras e subnutridas.
O padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), considera que a realidade seria diferente se as instituições de solidariedade portuguesas fossem apoiadas.
"Instituições como o CNIS estão a par deste agravamento da pobreza e têm feito um grande esforço para combatê-lo. O problema tem vindo a agravar, sobretudo no interior e na periferia de Lisboa e do Porto, onde o desemprego é uma realidade", sublinha Lino Maia.
Mesmo as famílias que não são afectadas pelo desemprego não conseguem assegurar o futuro das crianças. O empobrecimento dos seios familiares, a quebra do poder de compra e o endividamento excessivo contribuem para este drama social.
