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DPOC é uma das maiores ameaças mundiais

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) mata, anualmente, mais de três milhões de pessoas em todo o Mundo. Só a Portugal, custa 242 milhões de euros em ambulatório. Mas há ainda muitas pessoas que desconhecem o que é a DPOC…

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica – cujo dia mundial se assinalou em Novembro – caracteriza-se por obstrução do débito aéreo (passagem de ar dificultada), acompanhada por dificuldade respiratória (dispneia), tosse e aumento da produção de expectoração.

Trata-se de uma doença de carácter progressivo, parcialmente reversível, que provoca graves limitações, podendo conduzir a incapacidade e morte prematura. Vai roubando progressivamente o fôlego aos doentes, sendo já a quarta causa de morte a nível mundial, mas o grande problema continua a ser o subdiagnóstico.

Quando não é diagnosticada e tratada pode mesmo levar a uma situação irreversível, em que a qualidade de vida do doente é bastante afectada. Numa fase já avançada, os doentes são incapazes de desenvolver as suas actividades normais, como por exemplo pentear o cabelo, conduzir ou subir escadas.

Rastrear continua a ser a palavra de ordem no dia em que o mundo chama a atenção para uma das doenças mais devastadoras e uma das mais ignoradas pela sociedade.

Numa fase inicial da doença, a falta de ar ocorre durante a actividade física. Com a progressão da doença, a falta de ar manifesta-se até durante os períodos de descanso.

Actualmente, a DPOC é a causa de morte com mais rápido crescimento nas economias avançadas mundiais e perspectiva-se que em 2020 venha a alcançar a quarta posição como causa de morte nas regiões desenvolvidas e a terceira a nível mundial, logo após as doenças de coração e os acidentes vasculares cerebrais.

Um relatório divulgado pelo Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR) revela que a DPOC mata 2400 portugueses por ano sendo responsável por 10 por cento dos internamentos.

Fumadores e ex-fumadores com mais de 40 anos, o grupo de risco para o desenvolvimento da doença, continuam a ignorar os primeiros sintomas: tosse, expectoração e cansaço, fazendo com que a doença seja diagnosticada tardiamente.

"A exposição contínua a factores de risco, nomeadamente o tabaco, e as alterações a nível da estrutura da população mundial, cada vez mais envelhecida, fazem da DPOC uma das grandes ameaças da saúde", explica Cristina Bárbara, pneumologista e Coordenadora Nacional do GOLD (Iniciativa Global para a DPOC).

"Os doentes associam a tosse, dificuldade em respirar e expectoração aos hábitos tabágicos, o que retarda o diagnóstico e prevenção. Estar atento aos primeiros sintomas e consultar o médico é o passo mais importante no combate à DPOC", acrescenta.