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Sida: Médicos têm dificuldade em notificar casos

Dados oficiais sobre a sida em Portugal indicam que foram notificados, em média, 1350 casos por ano, desde 1983. Mas há médicos a assumir que não fazem as notificações, obrigatórias desde 2005. "Ou trato doentes, ou preencho papéis", referiu Eugénio Teófilo, clínico no Hospital dos Capuchos.

Desde 1983, foram notificados 33 815 casos de infecção pelo vírus da imunodeficiência humana, o que representa uma média de 1350 por ano. No entanto, estes números não retratam a realidade portuguesa, já que os médicos têm dificuldade em cumprir as normas estabelecidas em 2005.

Num workshop que decorreu em Lisboa - integrado no Dia Mundial da Luta Contra a Sida, que se assinala nesta segunda-feira, dia 1 de Dezembro - Eugénio Teófilo assumiu que não respeita essa regra.

"Os médicos não notificam os casos de sida, não têm represálias e se não o fizerem ninguém os chateia. No meu caso, ou trato doentes, ou preencho papéis", afirmou o clínico do Hospital dos Capuchos.

Mas há outro dado que mereceu relevância, nesta discussão: as campanhas de combate à sida estão a esquecer as mulheres com idades avançadas e surgem doentes com 80 anos de idade.

Os especialistas estão preocupados com a ausência de sensibilização para esta faixa etária, no sexo feminino. Há cada vez mais mulheres infectadas: no último ano, 21 por cento dos casos identificados no Hospital dos Capuchos referem-se a mulheres com idades entre os 50 e os 79 anos.

Esta preocupação surge um dia depois de Henrique de Barros, responsável da Coordenação Nacional para a Infecção do VIH/sida, ter defendido que deve ser reforçada a prevenção através da colocação de máquinas de venda de preservativos nas escolas.

À margem da segunda reunião do Conselho Nacional para a Infecção VIH/sida, o membro da entidade, tutelada pelo Ministério da Saúde, defendeu ainda que os programas de ensino abordem a problemática da sida.

"Tem de haver educação sexual nas escolas, com ensinamentos de acordo com as capacidades de entendimento dos jovens, para que estes entendam os riscos", disse. Henrique Barros considera, por outro lado, que a detecção precoce não deve ser descurada.