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Falta de água potável mata 4320 crianças por dia

Falta de água potável mata uma criança em cada 20 segundos, 180 em cada hora, 4320 em cada dia, ou 1 576 800 por ano. Organização das Nações Unidas aponta ausência de investimentos, facto associado ao crescimento demográfico.

Durante os 200 segundos necessários para a leitura desta notícia, morrerão 10 crianças em todo o Mundo devido às péssimas condições da água, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas.

São números impressionantes, que retratam uma realidade evitável: mais de 1,5 milhões de crianças perdem a vida todos os anos, vítimas de um saneamento deficiente.

Além destas perdas humanas, os deficientes serviços de saneamento - que impedem o acesso à água potável - são responsáveis por uma qualidade de vida precária.

As que sobrevivem não podem frequentar a escola e os adultos ficam impedidos de realizar qualquer trabalho produtivo, devido às doenças relacionadas com a falta de higiene.

Por outro lado, a água é desperdiçada de forma escusada, por parte de quem acede a esta preciosidade. Lavar os dentes com a torneira aberta representa um gasto de 45 litros. Uma pessoa que lave os dentes duas vezes por dia, nestas condições, desaproveita 32 850 litros por ano.

Uma piscina, por exemplo, obriga a um gasto mensal de 3800 litros de água apenas por evaporação. Esta quantidade seria suficiente para uma família de quatro pessoas ao longo de um ano e meio.

A falta de saneamento afecta 2,6 mil milhões de pessoas e é responsável pelo desenvolvimento de doenças mortais, não apenas nas crianças, mas também na população adulta.

O problema afecta uma em cada três pessoas. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, aponta a "falta de vontade política" como principal razão deste drama, associada ao crescimento demográfico, à pobreza e ao investimento insuficiente.

Em 2000, os 'Objectivos de Desenvolvimento do Milénio' definiram como fasquia, até 2015, diminuir para metade a quantidade de pessoas sem acesso a saneamento básico. No entanto, a meta está muito longe de ser alcançada. A África subsariana só alcançará esse objectivo em 2076.

O problema poderá ser ultrapassado com a mobilização das comunidades, para que pressionem os poderes políticos e estes desencadeiem um processo multinacional de apoio aos países que enfrentam a catástrofe.

Estes dados foram divulgados através de um comunicado da ONU, no Dia Mundial da Água, que se assinala a 22 de Março, no Ano Internacional do Saneamento.

Estima-se que cada dólar investido em água e saneamento possa produzir sete dólares, através dos efeitos dessa medida. No entanto, mais importante do que os dólares, são as vidas poupadas.